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O que é ser pai? No dia dos pais, conheça estas surpreendentes histórias

“O que constrói uma relação é o amor”. Essa é a reposta objetiva e sincera do Júlio de Oliveira Nascimento, “pai de coração” do paciente Gilmar Francisco de Araújo, interno da unidade João Paulo, da Vila São Cottolengo.

“Ele é amado por toda a família”, diz Eudomides Martins Cavalcante, que é pai do Francisco de Oliveira Neto, paciente da Unidade São Clemente.

O que essas pessoas e essas histórias têm em comum é a ligação de amor que une pai e filho, independente da sua consanguinidade. São histórias que carregam emoção, cuidado, inspiração. É uma parte da Vila São Cottolengo que convidamos você agora a conhecer.

Pai de alma, pai de coração, pai

O professor, psicólogo e filósofo Júlio de Oliveira Nascimento sempre teve uma forte e antiga ligação com a Vila São Cottolengo. Uma de suas filhas, hoje com 25 anos, chegou a ser, inclusive, batizada na instituição.

“Pelo menos uma vez por semana eu ia à Vila e acabei criando uma amizade com muitos pacientes, principalmente da Unidade João Paulo e do NIC (Núcleo de Integração e Convivência – unidade psiquiátrica)”, relata.

Durante essas visitas, Júlio conheceu o paciente Gilmar e, como ele mesmo coloca, uma “relação espiritual” começava a nascer durante aqueles encontros

Gilmar Francisco de Araújo é paciente da unidade João Paulo, tem 40 anos e mora na Vila São Cottolengo há 35. Integrante da Banda Inclusiva Luar – o trabalho de terapia musical envolvendo os pacientes da Vila – Gilmar é apaixonado por música. E foi por meio dela que a relação com Júlio e sua família começou.

Seu Eudomides levando o filho para passear quando o visita

Para além da presença física

“Dois anos e sete dias”, contabiliza seu Eudomides ao ser questionado há quanto tempo o Neto (Francisco Neto), seu filho caçula de 6 irmãos, está na Vila.

“O Neto tem uma diferença de 11 anos do último irmão, sempre foi uma criança alegre e amada por toda a família”, conta.

A história de Neto difere das histórias comuns de abandono familiar da maioria dos pacientes da Vila São Cottolengo. Pelo contrário, o pai, mesmo distante, se faz muito presente na vida do filho.

Diagnosticado com déficit cognitivo grave, Neto, hoje com 26 anos, é paciente da Unidade São Clemente, tem apoio familiar e, quando impossibilitado de ir até a instituição, o pai chega a ligar uma vez por dia para o filho.

Viúvo, aposentado, com 72 anos, e com diversas comorbidades, seu Eudomides diz que tentava diversos tratamentos para Neto: “Vários especialistas e a maioria disse até que ele não tinha mais jeito”, relembra.

Sem condições para cuidar do filho, que às vezes tinha que tomar até seis banhos por dia, o pai decidiu levá-lo para “um lugar que ele fosse ter todos os cuidados que ele merece”.

Dois anos e sete dias separam esses corações apenas fisicamente.

Inspiração para o pai

Separado do laço sanguíneo, Gilmar, que foi abandonado pelos pais biológicos, encontrou em Júlio a figura do pai. Contamos acima que Gilmar sempre foi apaixonado por música e, como nada nessa vida é coincidência, foi por meio de um projeto musical desenvolvido por Júlio que a relação de pai e filho começou.

Gilmar durante apresentação da Banda

Júlio ia toda semana à Vila São Cottolengo e trabalhava o projeto com os pacientes: “A gente ficava na Praça da Amizade cantando, ou seja, as minhas idas à Vila acabaram virando um projeto de música”, conta.

Em uma dessas ocasiões, Júlio compôs o Hino da Vila São Cottolengo a advinhe quem foi a inspiração?

“O Gilmar ouviu uma conversa minha com uma das irmãs sobre a composição do hino da Vila e já logo disse: ‘eu ajudo você’. E então eu comecei a me aproximar ainda mais do Gilmar, que acabou sendo a minha grande inspiração para a letra da música”, relembra Júlio.

Assista aqui a uma apresentação da Banda Inclusiva Luar.

Neto feliz quando escuta ‘Carreta Furacão’

Felicidade é questão de ser

E por falar em música, ela também faz a alegria do Neto. Com uma rápida visita pela unidade é possível perceber a felicidade dele quando assiste às apresentações da Carreta Furacão, um grupo de animação infantil em formato de trenzinho da alegria que toca músicas acompanhado de palhaços e dançarinos.

Seu Eudomides conta também que outra grande paixão do filho é andar de “tuktuk”, uma espécie de triciclo para transporte de passageiros, muito usado em Trindade.

“Sempre que eu vou à Vila, ele pede para gente andar. Aí eu o levo na sorveteria e ele fica muito feliz”, diz.

O Neto nos mostra que coisas simples são capazes de encher os nossos corações.

Posso te chamar de pai?

“Ele chama as minhas filhas de maninhas, a minha mãe de vovó. Nós somos realmente uma família”, afirma Júlio ao contar como se iniciou a relação parental.

“A gente já vinha mantendo contato por meio das visitas, do projeto de música, até que um dia ele me perguntou se ele podia me chamar de pai. Nós nos ligamos um ao outro de uma maneira muito especial e eu realmente me considero pai do Gilmar, agradecido a Deus por ter me dado duas filhas e um filho”, confirma.

Gilmar durante atividade de ‘boate’ na Vila

Gilmar passando o Natal junto à família de Júlio

Júlio conta que, antes da pandemia, era comum levar o Gilmar para passear e passar o Natal com a família, e que não vê a hora disso tudo passar para visitar o filho novamente: “Mas a gente se fala durante a semana, fazemos ligação por vídeo e é uma alegria só”.

Segundo Júlio, muitas pessoas duvidaram dessa relação, que já dura mais de dez anos: “Muitas pessoas vão e não voltam mais, mas eu levarei o Gilmar para a eternidade”, enfatiza.

O melhor pai é aquele que acolhe

Eudomides e Júlio: exemplos reais de acolhimento paterno em suas diferentes histórias. Exemplos de que ser pai vai além da presença física ou da genética. Neto e Gilmar: exemplos vivos de filhos bem amados, respeitados e acolhidos.

“Eu me identifico muito com o Gilmar porque também sou filho adotivo. Me toca muito a alma a minha relação com ele. Um dia eu fui acolhido e hoje eu acolho. Eu sei a necessidade que todos nós temos de amor”, arremata o pai, que não precisa de adjetivações, como a palavra “adotivo”, para exercer o papel.

“O meu filho nasceu com um problema de genética, mas ele tem mesmo é outro problema: o da paparicação. Ele é amado demais, é a verdadeira autoridade na família. Eu sempre fiz tudo por ele e, se hoje ele está na Vila, é também prova do meu amor”, finaliza o pai, que não precisa estar junto para exercer o seu papel.

A Vila São Cottolengo é mãe, pai, é família para os seus mais de 300 pacientes internos. Quantos Netos e Gilmares por aí têm, efetivamente, a chance de ter um Eudomides e um Júlio para chamarem de pai?

 

Carolina Simiema

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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